Incomensurável

O circo não cabe. Suas delimitações físicas são ilusórias: não há lona, teatro ou praça que o contenha. Assim como ocorre com a cartola do mágico ou com o fusca do palhaço, há uma infinita plasticidade no universo circense, o que justifica as constantes expressões de exagero, na forma de cores, sons, palavras. E, no embalo desses paroxismos, todas as artes parecem caber no circo.

Essa afirmação inclui as modalidades que, ao longo da história, foram sendo incorporadas ao receituário circense, com suas habilidades e aparelhos, figurinos e trejeitos – mas vai além. O caso é perceber também como música, dança, teatro, artes visuais, cinema e performance atravessam o permeável território do circo, constituindo-o como se fossem sua própria carne.

E, junto com tais presenças, aportam saberes e sensibilidades plurais, que se conjugam para que o fenômeno “circo” aconteça. O que se vê no picadeiro, no palco ou na rua é o resultado de um trabalho coletivo minuciosamente costurado – uma potente metáfora da vida em comunidade. Pois é disso que se trata: perceber, em meio à profusão de estímulos ensejados pelos artistas, os sutis comentários sobre o mundo que nos rodeia.

O CIRCOS – Festival Internacional Sesc de Circo é uma oportunidade de revisitar esse universo, a partir de referências nacionais e estrangeiras as mais variadas. Do contraste entre as soluções encontradas por cada trupe, advém a riqueza de uma expressão em pleno amadurecimento. Aproximar-se dessas criações é aceitar o convite para o desmedido, é penetrar numa caixa em que tudo cabe: arte e vida.

Sesc São Paulo

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