11 coisas que os artistas de circo gostariam de te contar

Ao fim de uma intensa maratona de espetáculos, temos mais algumas coisas – além da nossa arte –  para dividir com você.

1.Talento pode até existir, mas sem trabalho não é nada. 

Tem aquela questão que as pessoas acham que é talento. Que a gente tem um talento natural pra fazer o que a gente faz então a gente consegue fazer aquilo. Mas que não é verdade. São horas e horas por muitos anos de treino, aulas, estudos e tudo isso vem com um custo muito grande”
Tassio Foli – Circo do Relativo

2. Se tornar um artista de circo leva tempo. Mais do que você imagina.
“É uma profissão que demora a acontecer.. Às vezes um jovem que está querendo virar artista, quer ser ator, quer ser palhaço, malabarista e o artista mesmo vai vir com os anos, com muitos anos. Que a paciência reine na família dele, não é dois anos, três anos, que ele vai sair de lá um artista. E também  vai ficando melhor com os anos. Então a coisa mais bonita que a gente vê no meio circense é quando a gente vê um palhaço velho. A gente tem certeza que esse é o melhor. Por que ele vai se refinando.”
Marcio Douglas, La Cascata Cia. Cômica

@palhacoklaus

3. E este processo é cheio de descobertas.
“Nunca me achei muito engraçado. Eu demorei pra dizer que era palhaço, não por vergonha, mas por achar que não era. Eu sou uma pessoa mais quieta, mansa. Descobri que o riso está em outros lugares”
Fabiano Peruchi – Palhaço Clov’s

4. A gente trabalha muito mais do que as pessoas pensam.
“A gente chega, existe uma preparação, existe o arrumar todo o cenário. Tem muitas coisas por detrás do pano. Depois de toda essa montagem a gente faz  o espetáculo, que é sempre muito físico, muito cansativo. E depois ainda tem toda a desmontagem, a montagem do carro, chegar em casa, desmontar, conferir equipamento por equipamento, porca por porca, peça por peça.  Então sim, existe um trabalho muito grande por trás daqueles 40, 50 minutinhos que as pessoas vêem”
Tassio Foli – Circo do Relativo

@ciadorelativo

5. E o trabalho vai além da da parte artística.
“A gente precisa de alguém pra fazer a divulgação, alguém pra fazer a arte gráfica, alguém pra fazer a área contábil, alguém para administrar e muitas vezes somos nós mesmos. Então, ninguém tem 8 horas do dia só pra treinar a sua técnica. A gente tem que se dividir em muitas tarefas e tudo culmina na hora do espetáculo. Aquela uma horinha reflete em muitas horas de trabalho, em muitos setores diferentes”
Tassio Foli – Circo do Relativo

6. Somos muito apaixonados pelo que fazemos.
“Muitas vezes a gente acorda 6 horas da manhã, faz todo esse trabalho, chega 10 horas da noite em casa completamente acabado, mas aí a gente joga um pouquinho de malabares pra descansar.
Tassio Foli – Circo do Relativo

7. É uma profissão que toca em todas as áreas da nossa vida.
“Começa com um despertar legal, uma boa alimentação, a frequência do exercício físico, por que tu precisa se manter em forma, mesmo que tu não esteja apresentando tu continua o trabalho físico. Vai dormir pensando nisso, acorda pensando nisso, e a sobrecarga de fazer a produção, de fazer a divulgação, de pensar em todos os detalhes de um espetáculo, do funcionamento da equipe, ocupa muito mais do que 8 horas”
Álida Maria, Cia do Relativo

8. Mesmo com todos os desafios, fazemos tudo isso pensando em você.
“A gente faz isso pra vocês, de todo coração”
Liz Braga, do Coletivo na Esquina

@coletivo_naesquina

9. Nosso trabalho tem muito embasamento teórico, em várias áreas.
“Não só na questão de viver uma cena, como é um trabalho que envolve risco e muito preparo físico, tem que ter conhecimento sobre anatomia, sobre alimentação, de diversas outras áreas. As outras áreas elas entram, justamente pra gente conseguir fazer um trabalho conciso, de longa duração. Então tem que ter conhecimento de anatomia, conhecimento de nutrição, tem que ter conhecimento de educação física. Além de todas as questões artísticas, que envolve dança, teatro, todas as mini questões vão se ramificando a partir daí”
Tassio Foli – Circo do Relativo

10. É parte do trabalho do artista saber se reciclar.
“O circo assim como todas as outras áreas da cultura, ele acompanha as transformações. O circo não tem só aquela cara do circo tradicional. Ele também se recicla, se renova. A tradição tá aí por que ela funciona, por que ela é boa. Mas tem que crescer pra outros lugares”
Tassio Foli – Circo do Relativo

11. Nós precisamos de você!
“O público não sabe o tanto que a gente precisa deles. Bem simples assim, a gente precisa do público sempre. Cada vez mais presente, para todas as formas de circo, que são múltiplas”
Pedro Guerra –  Coletivo na Esquina

Escrito por
Mariana Krauss